
Outro dia fui ao CineMaterna pela primeira vez. Levei meu pequeno Vicente, agora com três meses e meio, para assistir ao novo longa de Woody Allen, "Tudo pode dar certo". Me diverti horrores com toda aquela novidade: cinema com bebê no sling, outras mamães e seus bebês chorando, trocando fralda, brincando em frente à telona, enquanto um velho rabugento tentava explicar a complexidade do universo a uma ingênua e estúpida mocinha do Alabama. Depois do filme, passei um bom tempo garimpando uma maravilhosa livraria que havia ao lado, recheada de títulos sobre cinema, teatro, arte, moda e com algumas belas peças de arte à venda. Escolhidos os presentes, na saída ainda enxerguei um mural de ímãs coloridos e divertidos, alguns de filmes, outros de HQs, mas os mais belos com réplicas de quadros famosos.
Foi aí que conheci - e me apaixonei - por um quadro de Gustav Klimt. Intitulado "Mãe e Filho", como depois investiguei, a imagem era belíssima e imediatamente pensei em como eu queria levá-la de presente para o meu amado.
Para a minha surpresa, ele não apenas conhecia o pintor, como também relatou que por muito tempo tivera o quadro "O beijo", do mesmo artista, sobre sua cama... mas resolveu deixá-lo para trás com seu passado - não sem algum sofrimento.
Enfim, o quadrinho-ímã ficou lá grudado em seu mural de fotos, junto com suas melhores lembranças da família (inclusive a família que agora formamos, eu, ele e o pequeno Vicente).
Quando voltei para casa, resolvi saber mais sobre esse tal de Klimt (santa ignorância...). E para surpresa ainda maior, descobri que é dele o quadro que está há séculos pendurado na parede de entrada do meu próprio quarto!!! Sim, por anos a fio tive "Judith I" em uma moldura espelhada, acompanhando o meu crescimento. Ela, com o seio esquerdo à mostra, segurando a cabeça de um homem cujo destino fatal parece muito lhe agradar, esteve o tempo todo me observando.
Lindo. Acho incrível como o acaso pode nos levar a encontros com nós mesmos.
Gustav Klimt, obrigada. Pela beleza das obras, pelas histórias de que me lembro ao contemplá-las, pela arte em forma de amor...

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